Cultura e Vida Social
Arte cemiterial
Os túmulos do Cemitério Municipal, inaugurado em 1905, guardam estilos que vão do românico à Art Nouveau. Um roteiro para ler a arquitetura e os símbolos de um museu a céu aberto.
Quem visita o Cemitério Municipal de Pederneiras muitas vezes nem imagina que está entrando num mundo de arte, cultura, memória e história. Cidades da região, como Jaú e Lençóis Paulista, promovem visitas noturnas a cemitérios para contemplar a arte cemiterial e contar histórias — em Jaú, a prática começou com o historiador Julio Cesar Polli e foi continuada pelo arqueólogo Fábio Grossi dos Santos. Pesquisas universitárias em todo o Brasil também já estudaram a arte cemiterial e os santos de cemitério da cultura popular.
A pedido do Acervo, a professora de educação artística Eunice Maria Furlani Nicolielo e sua colega de faculdade, a artista plástica Wanda Ferreira Cardim, fizeram uma breve pesquisa artística dos túmulos do cemitério municipal.
“Os cemitérios são museus a céu aberto devido à riqueza de seu acervo e são provas concretas da opulência econômica e política das cidades. Mas não podemos ignorar que são excelentes instrumentos de educação patrimonial e instrumento de alfabetização cultural, na medida em que possibilita a reconstituição do conhecimento e a apropriação dos valores e significados.” — Clarisse Ismério
O cemitério
O atual cemitério municipal foi inaugurado em 1905. Em 1959 o prefeito Michel Neme iniciou o calçamento e a remodelação, e em 1967 mandou construir a entrada principal, com mais calçamento, arborização e a praça em frente. A estátua na entrada da capela foi doada pela família de Michel Neme. Em 1982 o prefeito Waldomiro Fernandes Mateus ampliou a área, construiu o cruzeiro, fez muros e outras melhorias.
Roteiro dos estilos
Para entender os detalhes artísticos, Eunice montou um roteiro resumido das principais características de cada estilo.
Românico
- Construções sólidas e pesadas, com arrimo de apoio lateral
- Figura de Cristo sempre maior que as demais
- Construção em formato de cruz
- Arco pleno
- Arcos e abóbadas com pedra angular
- Às vezes, rosáceas sobre a porta principal
Renascentista
- Fachada terminando em triângulo
- Realismo: estudo preciso da anatomia
Barroco
- Coluna com capitel decorado
- Curvas e contornos
- Ornatos, como a talha (ornato entalhado em pedra) em volta e acima das portas
- Linhas em formato de conchas
Egípcio
- Imitação da casa dos vivos
- Às vezes, imitação das residências, com estatuetas, vasos e mobília
Árabe
- Arco em forma de ferradura; três arcos
Gótico
- Muitas colunetas
- Arco em ogiva (flecha)
- Rosácea
- Torres pontiagudas, buscando os céus para falar com Deus
- Florais: elementos decorativos em forma de flor esculpidos em pedra
- Vitrais
- Verticalidade nas construções
Art Nouveau
- Uso do ferro em balaústres, corrimãos, vitrais, janelas e portões, trabalhado com flores ou frutos como elemento decorativo
- Guirlanda
Estela
- Placa de identificação com o nome dos falecidos
Os símbolos
- Anjos — cuidam das almas; com o dedo apontado para o céu, indicam que o falecido era uma pessoa boa e que vai direto para o paraíso.
- Guirlanda — o triunfo da vida sobre a morte.
- Cruz — o encontro do plano material com o transcendental, nos seus eixos perpendiculares.
- Vaso — o vazio; o corpo separado da alma.
- Globo — o uso e o fim do tempo de vida terrestre.
- Flores, frutos e folhas — a vitória da alma humana sobre o pecado e a morte.
- Crisântemos — as “margaridas dos mortos”: nascemos, vivemos e morremos.
- Coroa de flores — o círculo da vida, completo até a morte.
- Chama acesa — a imortalidade.
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