Cultura e Vida Social
Cinemas
Oitenta anos de cinema em Pederneiras, do Cine Progredior, de 1911, ao fechamento do Cine Central em 1991 — e o Cine Clube Sétima Arte, que reacendeu a tela em 1994.
A família Dias
Em 1900 chegou a Pederneiras, vindo de Campinas, o imigrante português e agricultor José Gonçalves Dias. Comprou a Fazenda Mirassol, onde produzia café. Onze anos depois seus negócios eram outros: em 1911, na rua do Comércio (atual 9 de Julho), instalou o primeiro cinema da cidade, o Cine Progredior.
Em 1918 construiu um pavilhão na rua Municipal (atual Siqueira Campos), em frente à atual prefeitura, onde funcionou o Cine Ideal. Com a morte de José, em 1922, assumiram a direção o filho José Gonçalves Dias Junior, o Juquinha, e a mãe, Escolástica Leite de Oliveira Dias.
Também em 1922, Carlos Ghiraldeli e Vicente Rodrigues construíram o prédio do Central Cinema, na Rua Belmiro Pereira, na Praça da Matriz, que pouco tempo depois foi comprado por José Gonçalves Dias Junior. A partir dele, a família Dias ficou 52 anos à frente do cinema. Além dos filmes, o palco recebia peças de teatro, cantores, humoristas e artistas que percorriam o estado; ali também aconteciam bailes de carnaval com batalha de confete.
Os filmes eram mudos, e a trilha era feita por Dona Colaquinha — Escolástica — com sua pianola e um pequeno grupo musical. No começo de 1928, a Empresa Teatral Paulista arrendou o cinema da empresa Viúva Dias e Filhos. Em 1930, Pedro Paulo de Oliveira Dias comprou a parte dos irmãos e assumiu de vez o Central Cinema. Nos dias 6 e 7 de setembro de 1930 foram inaugurados os aparelhos Movietone e Vitaphone, e o cinema passou a exibir filmes sonoros.
No segundo semestre de 1941 o prédio foi reformado e os projetores, trocados. Em 1955 Pedro Dias fez uma ampla reforma, com projetores e som novos e tela panorâmica de Cinemascope. Dirigiu o Cine Central até morrer, em 1974. O cinema foi então arrendado a distribuidoras até 1981, quando assumiram Roberto Mai e José Roberto Pelegrineli Mai, que ficaram até 1991, quando o Central fechou as portas. Do primeiro cinema ao fim do Cine Central foram 80 anos do pioneirismo de José Gonçalves Dias. Veja também Os portugueses em Pederneiras.
O cinema da praça
Em 1928, um grupo de pederneirenses se reuniu para fundar um cinema na rua Dr. Amaral Carvalho (atual Siqueira Campos), na Praça da Matriz. Os futuros donos esperavam uma desapropriação que não aconteceu, e o projeto não vingou.
Cine União
Concluído o prédio da União Católica, na Travessa Anchieta, esquina com a Avenida Tiradentes, o padre Ernesto Cangueiro, pároco da Matriz, instalou ali o Cine União, em 19 de setembro de 1929, ainda com filmes mudos. O som ficava a cargo do piano de Maria Ângela Pisani (Nenê), do violino de Caetano Ladaga Pisani (Tanucho) e da flauta de Salvador Ladaga Pisani (Dodô).
Cine Anchieta
Em 1966, o diretor da Escola Técnica de Comércio Anchieta, professor Sinésio Ghiraldeli, e o radialista Elias Simão instalaram o Cine Anchieta no prédio da escola. Depois o cinema foi gerenciado por Miguel Pertinhez e, por fim, por Roberto Mai, até fechar em 1981.
Cine Clube Sétima Arte
Em 1990 reuniram-se três apaixonados por cinema — José Roberto Pelegrineli Mai, Oripes Maciel e Rinaldo Toufik Razuk —, a quem se juntaram Antonio Cachucho da Silva e Dionísio Canelada Campos. Nasceu assim o Cine Clube Sétima Arte, no mesmo prédio onde tinham funcionado o Cine União e o Cine Anchieta. Em 28 de setembro de 1994, com a presença de Adhemar de Barros Filho, que doou os projetores e o equipamento, o novo cinema foi inaugurado.
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